Ouça a Narração
Bem vindo à Forja. Vamos falar da delação do Vorcaro.
A delação dos irmãos Batista foi tratada como uma verdadeira bomba pela imprensa mainstream na época, com potencial para abalar os alicerces da República, exatamente como tratam agora a potencial delação de Daniel Vorcaro, caso seja aceita.
Quando todos esperavam que as revelações dos Batista afundariam ainda mais o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus líderes no mar de corrupção, eles usaram o instrumento da delação premiada para incriminar os opositores, como Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros políticos do PSDB e do PMDB, enfim, todos a quem acusavam de serem os responsáveis pelo impeachment da Dilma Roussef, levando alguns setores a suspeitar se a delação não teria sido encomendada pelos próprios criminosos, para afastar deles o foco das investigações.
Passados nove anos, Daniel Vorcaro parece tentar a mesma estratégia usada pelos irmãos Batista, enfatizando o envolvimento de políticos que se declararam conservadores e lograram alguma aproximação com Jair Messias Bolsonaro, enquanto tem o cuidado de minimizar a participação de pessoas ligadas ao atual Presidente Luis Inácio da Silva, vulgo Lula.
Pelo menos esta é a impressão que fica do que foi vazado até agora do teor da delação que sequer está homologada, nem foi tornada pública pelas autoridades. Estamos naquela fase do disse-me-disse, onde jornalistas usam o pouco de credibilidade que ainda lhes resta para tentar estabelecer a mesma narrativa dos tempos da Lava-Jato de que, se todo mundo é corrupto, então ninguém merece castigo.
O problema do Vorcaro é que dessa vez os indícios do envolvimento das pessoas que ele parece querer proteger são suficientes para que sejam arroladas no inquérito sem a necessidade de recorrer à delação dele. E a delação pode até ser rejeitada, pela suspeita de conter vícios claros em sua origem.
Vorcaro agora, assim como Joesley Batista daquela vez, pode não estar colaborando com toda a verdade sobre quem realmente está envolvido, ou quem fez o quê, no esquema.
Existem muitas pessoas corruptas no Brasil, desde a base até as mais altas esferas, em todas as instituições da República, nos vários espectros ideológicos da salada que se tornou o sistema no Brasil. Todas elas devem ser indiciadas e responder por seus crimes. Mas não é o delator quem deve escolher quem será ou não será punido.
Tomara que os investigadores estejam atentos e usem diligentemente a experiência passada para trazer a verdadeira justiça que os cidadãos brasileiros esperam, atingindo a todos os envolvidos e não só aqueles apontados pelo delator. E que tratem de rever a validade dessas delações tomadas por si só para condenar ou inocentar pessoas investigadas.







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