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Na década de 1960 o gaitista Maurício Einhorn disse que a melhor saída para o músico brasileiro seria o Aeroporto Internacional, frase mais tarde indevidamente atribuída a ninguém menos que Tom Jobim. Sessenta anos depois a frase ainda repercute no inconsciente coletivo do Brasileiro, abrangendo qualquer um que não veja boas perspectivas sociais, políticas ou econômicas no horizonte.
Mais recentemente, notadamente a partir da perseguição política promovida pela Suprema Corte Judicial Brasileira (STF) encabeçada pelo Ministro Alexandre de Moraes, vários representantes do incipiente movimento de direita recém inaugurado por Jair Messias Bolsonaro parecem ter se rendido à esta triste verdade.
O caso mais emblemático desta nova realidade, até a semana passada, seria o de Eduardo Bolsonaro, filho mais velho do ex-Presidente, que viajou para os Estados Unidos com a promessa de conseguir frear as decisões arbitrárias de Alexandre de Moraes, que culminaram na condenação e posterior prisão do pai, e acabou se exilando na "Terra das Oportunidades" junto com a família.
O argumento usado pelo jornalista Paulo Figueiredo para convencer o então Deputado Federal a contrariar o pai e embarcar nesta malfadada aventura seria o de que o sobrenome do filho de Jair Bolsonaro poderia abrir portas para que chegassem até o Presidente Donald Trump, o único capaz de parar a sanha autoritária de Alexandre de Moraes, no entendimento do jornalista.
Pelo menos é esta a versão oficial que circula entre os críticos e os apoiadores de Eduardo Bolsonaro, descartando de imediato a alternativa mais óbvia que seria a dele simplesmente ter escolhido fugir da perseguição no Brasil, usando uma boa desculpa.
Nesta semana outro caso de um político de direita refugiado nos EUA ganhou grande repercussão, depois que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), supostamente mancomunados com Agentes Federais Brasileiros, tentaram uma manobra ilegal de extradição do também ex-Deputado Federal Alexandre Ramagem, enquanto seu pedido de asilo político ainda em tramita na Justiça norte-americana.
Alexandre Ramagem, que tem fortes ligações políticas e pessoais com Bolsonaro, alegou a necessidade de proteção da esposa e filhas quando escolheu sair do Brasil e se refugiar nos EUA, tendo em vista que Alexandre de Moraes em ocasiões anteriores não se furtou em usar as famílias de suas vítimas como reféns em seus arroubos persecutórios.
É possível que o exitoso exemplo de Eduardo Bolsonaro tenha influído na decisão de Alexandre Ramagem e possa ainda induzir outros a fazer o mesmo.
A infeliz consequência da fuga dos políticos em busca de melhores condições para si e para seus entes próximos em outros países é que os eleitores conservadores estão cada vez mais sem opções viáveis na eleição que se aproxima, ficando à mercê de aventureiros que tentam surfar na onda da direita, como se vê acontecer em São Paulo e no Rio de Janeiro, reduto dos dois políticos tomados como exemplo aqui. O que dificulta o plano original de Jair Bolsonaro renovar o Congresso Nacional.







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